A verdadeira santidade
A santidade é obra da graça (Cl 2.6,7)
Para
que sejamos uma geração que marca na hora da conquista, é
imprescindível que vivamos a verdadeira santidade. Ninguém, na história
da igreja, fez grandes conquistas sem viver a verdadeira santidade.
Don
Richardson foi um grande missionário do século XX. Numa das suas
preleções, ele contou a história da conversão de um povo que vivia na
Nova Guiné (um país que fica próximo à Austrália). Esse povo era
conhecido como “Dunis”, e viviam, em pleno século XX, como se
estivessem na Idade da Pedra. Eles jamais tinham tido qualquer contato
com alguma pessoa civilizada, e portanto, nunca tinham tido contato com
o evangelho. Uma característica dos “Dunis” que chamou a atenção dos
missionários era que 90 a 95 por cento das pessoas daquele povo tinham
menos do que cinco dedos nas mãos; alguns tinham apenas dois dedos na
mão esquerda e três na direita. Aquilo intrigou os missionários, mas
eles não obtiveram uma resposta para aquele fato até que morreu uma
pessoa da tribo.
O ritual fúnebre praticado pelos Dunis era
bastante singular. Os mortos não eram enterrados; eles eram colocados
em uma grande mesa feita de pedras e ali eram queimados. Toda a
família, desde o mais novo até o mais idoso, saía de diante da mesa de
cremação e seguia em direção a uma mesa de madeira. Atrás dessa outra
mesa ficava um membro da tribo com uma pedra bastante afiada nas mãos,
e ali os membros da família do falecido estendiam uma das mãos,
colocavam-na sobre a mesa e tinham uma das falanges do dedo cortada
fora. Isso assustou os missionários, mas também os fez entender o
porquê das pessoas terem menos de cinco dedos nas mãos: eles
asdescobriram que essa prática se relacionava com a busca de Deus.
Aquelas pessoas ansiavam por Deus, e imaginavam que Deus só se
encontraria com elas depois de terem sofrido bastante. Por isso, sempre
que possível, elas aumentavam seu próprio sofrimento.
Quantas
pessoas não estão vivendosim nos dias de hoje, buscando o sofrimento
como um meio de se encontrarem com Deus, se esforçando em si mesmas
para alcançarem a salvação e a santidade?
A santidade é obra da graça (Cl 2.6,7)
Paulo diz: Ora, como recebestes Cristo Jesus (…). Isso se deu quando aquelas pessoas ouviram e entenderam a graça de Deus (Cl 1.6),
não mediante o esforço delas mesmas ou porque eram virtuosas, cheias de
qualidades ou boas em si mesmas. Elas reconheceram que seus esforços,
suas virtudes, suas boas obras e seus sofrimentos não acrescentavam
nada para sua salvação; por isso, desistiram de tentar fazer alguma
coisa e se entregaram completamente a Deus, mesmo vazias, derrotadas e
frustradas consigo mesmas, porém confiantes de que se elas não puderam
fazer nada para conquistar a salvação, Deus era poderoso para
salvá-las. A salvação, portanto, caracteriza-se por um ato de entrega e
de confiança no amor e na provisão de Deus. Só recebe a Cristo aquele
que se esvazia de si mesmo, entregando-se completamente a Deus.
O
texto continua, dizendo: Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor,
assim andai nele (…). Paulo fala aqui sobre dois processos que
acontecem na vida do cristão: salvação e santificação. A salvação vem
pela graça. E a santificação vem da mesma forma, segundo o texto.
Portanto, é a graça de Deus que nos salva e nos santifica.
A verdadeira santidade
Como
se expressa a verdadeira santidade? O apóstolo Paulo responde a essa
pergunta de maneira muito didática. Primeiro, ele mostra como não se
expressa a verdadeira santidade, e depois faz o oposto:
Cl 1.8:
“Cuidado, que ninguém vos venha enredar com sua filosofia e vãs
sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do
mundo e não segundo Cristo”. Para entendermos melhor o que Paulo está
querendo dizer, é importante entendermos o significado da palavra
“filosofia”. Aqui, filosofia não diz respeito aos pensamentos que
excluem Deus, nem a um curso universitário. Josefo, um historiador do
tempo dos apóstolos, disse: “Existem três formas de filosofia entre os
judeus: os seguidores da primeira escola são chamados fariseus, os da
segunda, saduceus, e os da terceira, essênios”. Assim, “filosofia”, no
texto, significa qualquer tipo de conhecimento acumulado sobre Deus ou
sobre qualquer outro assunto. Segundo Paulo, a verdadeira santidade não
é comprovada pelo conhecimento que uma pessoa consegue acumular. Os
fariseus, por exemplo, tinham um vasto conhecimento sobre Deus, mas
Jesus os chamou certa vez de filhos do diabo (Jo 8.44).
É impossível que algum filho do diabo apresente santidade. O próprio
diabo também conhece a Escritura, mas para ele está reservado o fogo do
inferno.
Paulo faz ainda um segundo alerta:
Cl 2.16:
“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida ou bebida, ou dia de
festa, ou lua nova ou sábados”. O alerta de Paulo é contra o engano
promovido pela vida de devoção. Muitas pessoas imaginam-se vivendo a
verdadeira santidade pelo fato de expressarem, com muita intensidade, o
comportamento religioso. Nos tempos de Paulo, as pessoas imaginavam que
a verdadeira santidade era evidenciada se a pessoa fizesse distinção
entre alimentos e alimentos, ou se ela prezasse o comparecer a eventos
religiosos. Os fariseus agiam dessa maneira, mas Jesus lhes disse: “Ai
de vos, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos
céus diante dos homens; pois não entrais nem deixais entrar os que
estão entrando! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque
rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o
tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós” (Mt 23.13,15). Mas ninguém é mais santo porque deixa de comer isso ou de beber aquilo, ou porque participa desse ou daquele evento.
Por fim, Paulo faz um último alerta:
Cl 2.18:
“Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e
culto dos anjos, baseando-se em visões”. Aqui, Paulo afirma que as
experiências sobrenaturais ou místicas não são um sinal que comprova a
verdadeira santidade. As pessoas ali estavam vendo e adorando anjos.
Por imaginarem que Deus era inacessível, elas começaram a buscar ajuda
e revelação de anjos, as tiveram. Miguel, o líder das hostes
angelicais, era largamente adorado na Ásia Menor e a ele eram
atribuídas muitas curas miraculosas. Com base nessas visões, muitos
imaginavam-se espirituais, andando na verdadeira santidade. A essas
pessoas Paulo diz não. Jesus mesmo chegou a afirmar: “Nem todo o que me
diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a
vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos naquele dia hão de
dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu
nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos
muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci.
Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23).
Concluindo,
Paulo diz: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de
sabedoria…todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.23).
Apesar de parecerem sinais da verdadeira santidade, essas referidas
práticas e expressões não conseguem refrear os impulsos da carne;
antes, muito facilmente os promovem.
Os sinais que comprovam a verdadeira santidade Cl 3.1-3:
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as
coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque
morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”.
Aqui, Paulo faz uma afirmação condicional. Ele diz que se as pessoas
morreram em Cristo e com ele ressuscitaram, então necessariamente uma
mudança se operou na vida delas. E essa mudança as leva a viver um novo
estilo de vida, a que podemos chamar de santidade.
Cl 3.2:
“Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”. O
primeiro sinal da verdadeira santidade é o anseio pelas coisas
celestiais. Aquele que nasceu de novo, que vive em santidade, anseia
por Deus mais do que por todas as outras coisas. Contudo, o anseio por
Deus é um aspecto subjetivo, que não pode ser medido muito facilmente.
Por outro lado, o anseio por Deus leva a pessoa a tomar naturalmente
duas atitudes práticas, que facilmente podem ser medidas.
Cl 3.5:
“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza,
paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria”. A
verdadeira santidade, além do anseio por Deus, se expressa por meio da
morte do velho homem. Aqui, Paulo enumera cinco vícios da carne, que
são destruídos pelo que é santo. O primeiro vício colocado nessa lista
é a prostituição, que se refere à toda relação sexual ilegal e ilícita,
e portanto envolve o adultério, a fornicação (o sexo antes do
casamento), a bestialidade e outras formas de relação sexual que são
anti-naturais e anti-bíblicas. Aquele que vive em santidade vai matando
progressivamente esse vício em sua vida.
A seguir, o apóstolo
Paulo fala da impureza. Aquele que vive em verdadeira santidade se
esforça para deixar de lado os maus intentos do coração, os maus
pensamentos e as inclinações da carne: a pornografia, os atos
libidinosos e a masturbação.
Paulo continua a lista daquilo
que o santo faz morrer. Ele faz morrer a paixão lasciva, o desejo
maligno e a avareza. Paixão lasciva e desejo maligno têm praticamente o
mesmo sentido, e significam todo tipo de desejo que não é voltado para
Deus. Assim, aquele que tem os olhos voltados para as coisas materiais
está alimentando desejos malignos no coração. Essa busca por admiração
pode se dar até mesmo em relação a coisas espirituais. Há pessoas que
oram não porque amam a Deus, mas sim porque desejam receber a admiração
de outras pessoas, que as chamam de espirituais. O mesmo pode acontecer
no tocante à leitura da Bíblia e ao jejum.
O último vício
enumerado por Paulo é a avareza. Nesse texto, avareza não se restringe
ao amor ao dinheiro; antes, abrange todo tipo de busca do bem pessoal
por egoísmo. Portanto, tudo o que a pessoa faz pensando em si mesma e
não em Deus é uma forma de egoísmo. Em outras palavras, ela se coloca
no lugar de Deus e, portanto, promove a idolatria. Paulo diz que aquele
que vive a verdadeira santidade dia após dia mata todos esses vícios.
Ele não permanece na passividade, mas sempre busca a força que Jesus
lhe pode dar.
Por fim, Paulo apresenta outro sinal que comprova a verdadeira santidade.
Cl 3.12:
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos
afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de
longanimidade”. A verdadeira santidade se expressa por meio do
revestimento de Cristo. Aquele que é santo se torna, a cada dia, mais
parecido com Jesus. Paulo enumera algumas das expressões da vida de
Jesus. Ele diz que a verdadeira santidade se revela na misericórdia, na
bondade, na humildade, na mansidão e na longanimidade.
A
misericórdia aponta para a compaixão de um ser humano para com outro.
Aquele que é misericordioso nunca é acusador e nem crítico; antes, ele
se oferece para ajudar e auxiliar aquele que está em situação de
miséria. Por isso, ele é também bondoso.
Sem dúvida, a bondade é
um reflexo da humildade que existe no coração daquele que é santo. Ele
sabe que o seu coração é enganoso, e que ele não é melhor do que
qualquer outra pessoa. Antes, ele reconhece que é Deus quem o sustenta;
por isso, ele também é uma pessoa mansa.
A mansidão é uma
característica na vida daqueles que reconhecem que suas vidas estão
inteiramente nas mãos de Deus. Eles sabem que se algo não aconteceu do
modo como eles esperavam, eles não devem se desanimar ou murmurar;
antes, devem confiar em Deus, que faz todas as coisas de modo perfeito.
Naturalmente, a mansidão conduz à longanimidade.
Aquele que é
verdadeiramente santo é paciente. Ele sabe que Deus vai fazer as coisas
no tempo certo; por isso, ele descansa em Deus.
Todas essas
expressões existiam na vida de Jesus. Aquele que anda na verdadeira
santidade as possui na sua vida, e a cada dia ele se torna mais
parecido com Jesus.
Arrtigo extraído do site www.diantedotrono.com.br